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	<title>Benfiquismo &#187; História</title>
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	<description>Discussão de todos os assuntos do Sport Lisboa e Benfica</description>
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		<title>Projecto Roquette</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 16:16:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Fonseca</dc:creator>
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Em 1996 o Sporting Clube de Portugal iniciou um novo ciclo de vida, por acção do presidente José Roquette e outros dirigentes como Miguel Galvão Teles, Dias da Cunha e Ernesto Ferreira da Silva. As acções integradas neste novo ciclo ficaram conhecidas como “Projecto Roquette”, entendido globalmente como uma dinâmica de modernização do Clube em [...]]]></description>
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<p>Em 1996 o <strong><span style="color: #006500;">Sporting Clube de Portugal</span></strong> <strong>iniciou um novo ciclo de vida, por acção do presidente José Roquette e outros dirigentes como Miguel Galvão Teles, Dias da Cunha e Ernesto Ferreira da Silva.</strong> As acções integradas neste novo ciclo ficaram conhecidas como “Projecto Roquette”, entendido globalmente como uma dinâmica de modernização do Clube em três frentes: a desportiva, a patrimonial e a organizacional. Esta era a face visível do projecto. A outra face só foi conhecida devido às fugas de informação vindas de dentro do próprio Sporting e de outros dirigentes desportivos, dos meios de comunicação, federativos…</p>
<p>O Projecto Roquete numa das suas recomendações dizia: <strong>“Em Portugal dada a dimensão do país não há lugar para três grandes forças desportivas. Lisboa não comporta dois grandes clubes, pois as receitas de sobrevivência (televisões,afluência aos Estádios, etc) não chegam para todos.” </strong>O lema e base seria qualquer coisa como: <strong>“numa cidade como Lisboa nao podem existir 2 clubes da grandeza do Benfica e Sporting”. Logo o Benfica teria de ser afastado. </strong></p>
<p>Este projecto começou a ser abordado em Conselho Leonino em 1997 e desde logo os dirigentes do Sporting tinham consciência da sua pequena dimensão para atacar “verdadeiramente” o Benfica. Assim, estabeleceram contactos com o FC Porto para começar a delinear o projecto de maneira a afastar o Benfica do panorama desportivo nacional. O Porto, presidido por Pinto da Costa, vê neste ponto uma oportunidade única: eliminaria o seu maior rival e tornar-se-ia no maior clube nacional. Pinto da Costa há muito que tinha um pensamento que se encaixava na filosofia do Projecto Roquete: “No Norte só há um clube com força e na capital há dois, por isso só há uma forma de os poder dividir e lutarmos contra eles. Temos de estar sempre bem com um e abrir guerra ao outro.” Para além disso, há muito que Pinto da Costa estava a espandir a sua influência nos principais orgãos da Liga de Futebol e noutros “parceiros” desportivos como árbitros, treinadores, presidentes de pequenos clubes…</p>
<p>Os “planos” do projecto nunca foram bem conhecidos, até porque o Sporting, nesta fase, fechou-se aos media e tentou blindar “as políticas” do clube. O que desde logo se notou foi o modo como os media começaram a tratar o Benfica, principalmente os desportivos, e como as decisões da liga e arbitragem começaram a prejudicar o clube. Por esta altura também se notou o afastamento dos lugares de direcção das várias associações e federações de gente ligada ao Benfica.</p>
<p>O que os projectistas do projecto não contavam era a oposição de João Rocha, antigo presidente do Sporting e membro do conselho leonino, que o denunciou: foi a fuga de informação! Mas esta fuga foi rapidamente abafada, até pelo próprio João Rocha, que percebeu a gravidade do acordo com o FC Porto e as consequências futuras se a opinião pública conhecesse o projecto. Esfreou então o entusiasmo entre os dirigentes leoninos e para além disso tinha-se instalado uma crise financeira do Sporting, Asfixiado economicamente, o Sporting já não tinha dinheiro para comprar influência necessária para “mandar abaixo” um clube com a dimensão do Benfica e o projecto foi “arquivado”.</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><em><strong>Em 15 Fevereiro de 2006, João Rocha quebra o silêncio e dá uma entrevista ao jornal Record. Ficam aqui alguns excertos, com a respectiva ordem lógica. Algumas partes foram omitidas, porque claramente não fazem parte do objectivo do artigo.</strong></em></span></p>
<p><strong>RECORD</strong> – Um projecto que encheu de esperança todos os sportinguistas…<br />
<strong>JOÃO ROCHA</strong> – <strong>O Projecto Roquette liquidou o Sporting. Ninguém soube o que era o projecto, porque ele não dizia.</strong> Sabia-se, apenas, que era uma dezena de sociedades, dirigentes e funcionários superiores a ganhar centenas de milhares de contos. O projecto foi reduzir os sócios de mais de 100 mil para pouco mais de 30 mil, foi acabar com as modalidades amadoras, foi vender património, foram dezenas e dezenas de milhões de contos de prejuízo que não aparecem nos resultados, porque parte deles foram executados pelo Sporting. No caso da SAD deram-se informações falsas aos associado e à própria CMVM para a entrada na bolsa.</p>
<p><strong>RECORD</strong> – Muito objectivamente, na sua opinião, José Roquette é o responsável pelo actual passivo do Sporting?<br />
<strong>JOÃO ROCHA</strong> – O Projecto Roquette liquidou o Sporting. Disso já não restam dúvidas. <strong>Queria gerir o clube ditatorialmente e a primeira coisa que fez foi fechar as portas aos jornalistas nas assembleias gerais. </strong>No meu tempo, havia uma bancada só para os jornalistas. Não tínhamos receio de nada.</p>
<p><strong>RECORD</strong> – Lembro-me que durante o mandato de José Roquette,você se revoltou com acordos que nunca ficaram esclarecidos, nomeadamente entre o Sporting e o FC Porto. Quer revelar pormenores em relação a isso?<br />
<strong>JOÃO ROCHA</strong> – <strong>Havia um projecto com o FC Porto que era muito prejudicial para o Sporting. Era mesmo inqualificável. Insurgi-me num Conselho Leonino e numa assembleia geral. Era um projecto gravíssimo que só podia sair da cabeça de um indivíduo sem responsabilidades. José Roquette dizia que era um projecto válido,<span style="color: #ff0000;"> porque era a única maneira de Sporting e FC Porto estarem sempre representados na Liga dos Campeões</span>.</strong></p>
<p><strong>RECORD</strong> – Vai concretizar ou continuar a guardar trunfos?<br />
<strong>JOÃO ROCHA </strong>– <strong>Não digo mais nada sobre isso. Foi falado no Conselho Leonino e eu disse ao líder da AG para mandar calar sobre essa informação, que foi longe demais. Disse-lhe ainda que o resumo do acordo com o FC Porto devia ser gravado de tão grave que era, porque talvez fosse necessário que essa gravação viesse a ser pública na defesa dos interesses do Sporting e dos seus sócios. Não vejo o desporto assim. </strong></div>
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		<title>Benfica e Salazar</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 16:13:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Fonseca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dos mais famosos provérbios portugueses diz: “uma mentira dita muitas vezes passa a ser verdade.” A mentira de que o Benfica era um clube protegido por Salazar tem sido dita muitas vezes com o objectivo duplo de menorizar as vitórias passadas do clube e modificar a história do futebol Português e, mesmo, de Portugal. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos mais famosos provérbios portugueses diz: “uma mentira dita muitas vezes passa a ser verdade.” A mentira de que o Benfica era um clube protegido por Salazar tem sido dita muitas vezes com o objectivo duplo de menorizar as vitórias passadas do clube e modificar a história do futebol Português e, mesmo, de Portugal. Veremos de seguida os factos que desmentem por completo esta calúnia.</p>
<h3><strong><span style="color: #ff0000;">Portugal</span></strong></h3>
<p>Em 2008, data de publicação deste artigo, o Campeonato Português de Futebol conta com 73 edições, 31 ganhas pelo Benfica. António de Oliveira Salazar liderou Portugal entre 1933 e 1968. Desde da época 1933/34 a 1968/69 passaram 35 temporadas. Nesse tempo o Benfica venceu 14 campeonatos, o Sporting venceu 12 e o Porto 8. Assim sendo, de 31 títulos, o Benfica conquistou 14 enquanto Salazar esteve no poder e 17 sem Salazar. Tem-se de assinalar que o Sporting venceu apenas 6 vezes sem Salazar. <strong>Ou seja, em termos percentuais, cerca de 64% dos títulos do Sporting foram conquistados com Salazar no poder, ao contrário do Benfica, com cerca de 45%.</strong></p>
<p>A época dourada (em termos internos) do Benfica coincide com o período mais esquerdista de Portugal, 1970-1980. <strong>Em 10 edições do campeonato, na década de 70, o Benfica conquistou 6 e conseguiu fazer dois campeonatos sem perder um único jogo. </strong>De realçar, que nos 20 anos seguintes à revolução de Abril, o Benfica venceu 10 campeonatos e 7 Taças de Portugal, contra 8 campeonatos e 5 taças ganhas pelo Porto e 2 campeonatos e 2 taças conquistadas pelo Sporting. Elucidativo…</p>
<p>Também nas 84 edições da taça de Portugal o Benfica venceu 27, 14 sem Salazar e 13 com Salazar. Mais uma vez, com ou sem Salazar, o Benfica mantém a senda vitoriosa.</p>
<h3><strong><span style="color: #ff0000;">Europa</span></strong></h3>
<p><strong>Em termos Europeus, o Benfica conta com 8 finais europeias (7 na taça dos campeões europeus e uma na taça uefa) e duas meias-finais (taça das taças)</strong>. Venceu ainda a taça latina e uma edição da taça ibérica (em 83/84). Estes dados mostram o poderio do Benfica quer em Portugal, quer na Europa, na era Salazar e no pós-Salazar. <strong>Relembro que a final da Taça Uefa foi em 1982/83 e a última presença na final na Taça dos Campeões Europeus foi em 1987/1988. Estas duas finais estão bem longe do período de influência de Salazar…</strong></p>
<h3><strong><span style="color: #ff0000;">Curiosidades</span></strong></h3>
<p>Quem não conhece a história do Benfica pode pensar que o seu hino de sempre é a música de Luís Piçarra, mas isso não corresponde à verdade. <strong>O hino oficial do Benfica, composto por Bermudes, chamava-se “Avante Benfica” e foi censurado por Salazar por ser entendido como uma afronta ao seu poder</strong>.</p>
<p>Miguel Sousa Tavares, adepto portista reconhecidíssimo, no seu best seller Rio das Flores, apresenta um excelente trabalho acerca da evolução das ditaduras de direita na primeira metade do século XX. <strong>Miguel Sousa Tavares não podia ser mais explícito, e dada altura, refere: “Sporting era o clube do regime”</strong>. Contudo, Salazar aproveitou-se das vitórias do Benfica para se promover e credibilizar como faria qualquer ditador.</p>
<p><strong>Na história do Benfica contam-se imensos dirigentes que lutaram contra o fascismo de Salazar</strong>. Manuel Conceição Afonso, Félix Bermudes (o autor do hino censurado), Tamagnini Barbosa e Júlio Ribeiro são alguns desses exemplos. Mais, este último declarou publicamente que não se recandidataria à presidência do clube porque, precisamente, sabia estar a prejudica-lo junto do poder central. Para finalizar: José Magalhães Godinho, conhecido opositor do regime, foi o primeiro director do jornal do Benfica.</p>
<p>O estádio das Antas(FC Porto) foi inaugurado dia 28 de Maio (dia comemorativo da revolução que deu origem ao estado novo). Quando o Benfica foi ocupar o campo 28 de Maio (onde jogava o Sporting) muda o seu nome para estádio do Campo Grande.</p>
<p>O Benfica foi obrigado a jogar a final da taça de Portugal em 1961/62 em casa do adversário (Vitória de Setúbal) um dia depois de o Benfica ter vencido o Barcelona na final da Taça dos Campeões Europeus. Os 15 jogadores que estiveram nesse jogo estavam em viagem no dia do jogo em Setúbal em que o Benfica perdeu 1-0.</p>
<p><strong>Em 1954/55 O Benfica apesar de campeão não foi indicado para a Taça dos Campeões Europeus porque naquela altura os clubes eram sugeridos pelas entidades nacionais responsáveis e o Benfica, mesmo sendo campeão, foi preterido em favor do Sporting.</strong></p>
<p>Texto baseado em <a href="http://footballdependent.blogspot.com/2008/01/benfica-o-clube-de-salazar.html" target="_blank">footballdependent.blogspot.com </a></p>
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